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O mistério dos corpos intactos de 2 mil anos dos pântanos da Dinamarca

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Fonte: BBC traduzido por BBC Brasil
Por Adam Graham

Corpos de 2 mil anos de idade vêm sendo descobertos, e muitos arqueólogos acreditam que se tratam de vítimas de sacrifícios religiosos da Idade do Ferro (período iniciado em 1.200 a.C. em regiões da Ásia e da Europa), mortas e delicadamente depositadas nos pântanos como uma oferenda aos deuses. 

A Dinamarca tem uma das maiores concentrações de brejos – e de corpos encontrados – do mundo. Boa parte está perfeitamente preservada por causa de ácidos produzidos pelo musgo que é tão presente nesse ecossistema.

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Muitos corpos foram acidentalmente descobertos por coletores de turfa, substância gerada pela decomposição de vegetais de áreas alagadas que os dinamarqueses ainda usavam como combustível entre 1800 e 1960. Autópsias modernas revelaram que quase todas as vítimas – homens ou mulheres – sofreram mortes violentas. Algumas tinham marcas de forca ou cordas ao redor dos pescoços. Outras, as gargantas cortadas.

A Mulher Haraldskaer foi encontrada nua, ao lado de um manto, e tinha sido presa ao fundo por galhos de árvores possivelmente depois de morta. Sulcos em seu pescoço sugerem estrangulamento, e análises forenses adicionais revelaram o conteúdo de seu estômago na hora da morte, incluindo milho-painço e amoras – uma refeição estranha em uma sociedade orientada para o consumo de carne.

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“Estamos fazendo análises de isótopos em seu cabelo e trabalhando com uma nova técnica de DNA que extrai material de seu ouvido interno para descobrirmos mais sobre ela”, conta o arqueólogo.

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Mágico e sobrenatural

Ravn e eu dirigimos 10 km para o oeste até o Pântano Haraldskaer, onde a mulher foi descoberta.

Assim como os pântanos que vi do trem, estava coberto por algas verdes brilhantes e cercado por uma camada densa de árvores com cogumelos roxos. Há algo mágico e até sobrenatural, e é fácil ver o porquê de terem sido escolhidos como locais de sacrifício, e porque ainda exercem magnetismo nos dias de hoje.

A próxima parada era Aarhus, a segunda maior cidade dinamarquesa, para visitar o Moesgaard Museum, que abriga uma das melhores coleções sobre a Idade do Ferro na Europa.

A estrela da companhia aqui é o Homem de Grabaulle. Encontrado em 1952, esse corpo extremamente bem preservado encontra-se em posição deitada, pés e pele praticamente intactos, bem como a face, que tem uma expressão serena.

“Assim como a maioria dos corpos encontrados em pântanos, seu cabelo e pele ficaram avermelhados por causa de um processo químico conhecido como reação de Maillard”, explica Pauline Asingh, diretora de exibições do museu. “Ele é realmente um homem bonito.”

Mas o olhar tranquilo do Homem de Grabaulle contrasta com a evidência de seu fim violento.

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“Ele foi forçado a se ajoelhar, e sua garganta foi cortada de orelha a orelha por alguém de pé por trás dele. Mas ele foi colocado com delicadeza no pântano. Pode parecer violento para nós, mas sacrifícios eram uma parte importante da vida cultural desse período”, diz Asingh.

O museu também tem em seu acervo evidências de que os sacrifícios não eram limitados a humanos: em 2015, 13 cães do ano 250 a.C. foram encontrados no Pântano de Skodstrup, perto de Aarhus.

A parada final foi Silkeborg, a 44km a oeste de Aarhus. Lá, o Museum Silkeborg exibe “corpos do pântano” e um deles é considerado um dos mais bem-preservados espécimes do mundo.

O Homem de Tollund, de cerca de 2,4 mil anos de idade, está tão bem conservado que autoridades dinamarquesas pensaram que ele era um menino desaparecido quando foi encontrado, em 1950.

Assim como outras vítimas, ele foi enforcado. A corda que ajudou a matá-lo ainda estava enrolada em torno de seu pescoço, e seu rosto estava perfeitamente intacto.

Na sala ao lado estava a Mulher de Elling, achada a apenas 40 metros do Homem de Tollund e que deve ter morrido na mesma época. Também se acredita que ela tenha sido enforcada, e é uma atração popular por causa de seu cabelo vermelho, amarrado em uma longa trança de 90 cm de comprimento, com um elaborado nó.

Ole Nielsen, o arqueólogo do museu, me levou para visitar Bjaeldskovdal, um pântano 15 km distante de onde os corpos foram encontrados.

Ao pararmos para observá-lo, pensei em quais outros segredos suas profundezas turbas poderiam esconder.